domingo, 9 de fevereiro de 2014

TU ÉS


Roubaste a minha alma e meu corpo.
Diante da transitoriedade do teu olhar,
Escravizaste-me no que mais sutil eu possuía:
Não me possuo mais.

Vivo do teu reflexo,
Vivo das tuas migalhas jogadas ao chão
As chagas se abrem e se fecham
Como a dança das lavas do vulcão
Ativo e em erupção.

Devoro-te
Possessa
Com ardor e dor
Sangro e assopro
Devoro-te

Tiraste de mim
O que me aprecia:
A minha paz.
E com a pá,
Enterraste-me aos teus pés
Cavaste dentro de mim.

Quem és tu?
Que me alimentas e me fazes devorar
Jogada na lama
Da incerteza do indefinido
Plano infinito
Possuíste-me

Devoro-te arrebatadoramente
Devolva-me o que me é de nascimento
Minha alma que subjugas
No calor dos teus pés
Esfrangalhas-me com um suspiro
Arrematas-me e me matas.

Quem és tu?
Que me matas um dia
Que me libertas em outro
Que me aprisionas ali
Que me fazes renascer aqui
Quem és tu?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sem palavras

Nas reticências
Vieram os sinais
Que me silenciam.
Diante da ausência
Que me norteiam.

Urge mais que distante,
Fez-se apenas como amante
Sem qualquer diamante
E ainda mentes,
Brilhantemente.

As estrelas do céu,
Nada mais que cruel,
Sem o seu doce mel,
Não há melodia
Durante o dia 
Ou a noite.

Pousa sobre a lua
Meio que desnuda
No silêncio,
Tudo muda
E se mortifica.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Música

Meias-palavras,
nada mais,
poucas melodias
durante os dias...

O ruído que corrói
desprende e
perece.

Meias-verdades
não há idades
que desaparecem
com o tempo.
Amém.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Filosofia

Parto de uma total insignificante ignorância,
O que faço com gosto: questionar.
Melancolicamente com ares fatídicos
Sobre o "só sei que nada sei".
Nada mais estranho e denso,
É esse tal de conhecimento,
Que serve à mente como cimento
Por dar base aos argumentos,
Por vezes, etnocêntricos,
Faz-nos pensar em Teeteto,
Diante dos condicionamentos
Transformados em crenças,
Verdadeiras ou falsas,
Que viram descrenças
Diante da oferenda do tempo..
Fazem-nos crianças.

Ai, que pena!
Dai-me penas para escrever!


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Beleza Negra

Ah! Beleza negra,
Dentro de ti, aprimoro
E contigo namoro
Sem preconceitos.
Despido de ritos cristãos
Prepondero cada perdão
De cada pecado cometido
Mesmo sem ter tido
Pois quero apenas senti-lo
A vida incorpora sentido
Hei de segui-lo, 
Sem regra.

sábado, 10 de agosto de 2013

Agosto

Tu que me agracias
Diante de um mito
Recheado de ritos
Fazes a minha alegria
Neste amanhecer do dia
E me agradas com gosto!
Bem-vindo mês de Agosto!




Fado

Livrei-me do fardo dos vícios
Prendi-me ao do amor
Este será o meu fado
Como uma mágica de fada
Por onde estou sendo guiada
E um dia amada
Antes do fim dos meus ócios

Que me enterrarão com meus ossos