quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sem palavras

Nas reticências
Vieram os sinais
Que me silenciam.
Diante da ausência
Que me norteiam.

Urge mais que distante,
Fez-se apenas como amante
Sem qualquer diamante
E ainda mentes,
Brilhantemente.

As estrelas do céu,
Nada mais que cruel,
Sem o seu doce mel,
Não há melodia
Durante o dia 
Ou a noite.

Pousa sobre a lua
Meio que desnuda
No silêncio,
Tudo muda
E se mortifica.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Música

Meias-palavras,
nada mais,
poucas melodias
durante os dias...

O ruído que corrói
desprende e
perece.

Meias-verdades
não há idades
que desaparecem
com o tempo.
Amém.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Filosofia

Parto de uma total insignificante ignorância,
O que faço com gosto: questionar.
Melancolicamente com ares fatídicos
Sobre o "só sei que nada sei".
Nada mais estranho e denso,
É esse tal de conhecimento,
Que serve à mente como cimento
Por dar base aos argumentos,
Por vezes, etnocêntricos,
Faz-nos pensar em Teeteto,
Diante dos condicionamentos
Transformados em crenças,
Verdadeiras ou falsas,
Que viram descrenças
Diante da oferenda do tempo..
Fazem-nos crianças.

Ai, que pena!
Dai-me penas para escrever!


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Beleza Negra

Ah! Beleza negra,
Dentro de ti, aprimoro
E contigo namoro
Sem preconceitos.
Despido de ritos cristãos
Prepondero cada perdão
De cada pecado cometido
Mesmo sem ter tido
Pois quero apenas senti-lo
A vida incorpora sentido
Hei de segui-lo, 
Sem regra.

sábado, 10 de agosto de 2013

Agosto

Tu que me agracias
Diante de um mito
Recheado de ritos
Fazes a minha alegria
Neste amanhecer do dia
E me agradas com gosto!
Bem-vindo mês de Agosto!




Fado

Livrei-me do fardo dos vícios
Prendi-me ao do amor
Este será o meu fado
Como uma mágica de fada
Por onde estou sendo guiada
E um dia amada
Antes do fim dos meus ócios

Que me enterrarão com meus ossos

quarta-feira, 8 de maio de 2013

DEIXE-ME CUIDAR...


Deixe-me remar

no leme de sua proteção
pelas águas do mar
no abismo do seu coração

Deixe-me achar que cuidarei
dos seus ventos e do seu mar
para que eu possa lhe cativar
nas areias finas lhe buscarei


Deixe-me acreditar
que estarei a lhe esperar
na rede do meu imenso mar
para que possas me coroar





terça-feira, 7 de maio de 2013

Navio





Em um mar, longe da terra, um navio navega diante da tempestade embriagada pela ressaca da mudança climática. Só os ventos escutam os gritos de desespero dos cem tripulantes:

- As boias!! Peguem-nas!!! Força!!


- Marujo!! As velas!!! Ergam-nas!!!

E o velho vendo aquele agito das pessoas a bordo, em sua insanidade senil, recita as palavras ao vento com os braços abertos:

- Aprendam a nadar!!! Não sabem?! Ora, bolas!

Interrompido pela tosse, volta a esbravejar contra os quatro-ventos das sombras da tripulação:

- Então, onde estão as boias? Salva-vidas!?!  No mar salgado e infinito, onde estão os salva-vidas?!? No mar insípido, onde estão os botes do navio?!? Quem se salvará?

Ninguém o ouve, ocupados com o destino do navio, mas ele continua e pronuncia uma profecia:

- Os instintos primitivos sobreporão à ética!!

Perplexo contra seu próprio reflexo esculpido na água do mar, o velho diz calmamente:
- Que ética? Essa fugiu com o espírito moral e deixaram-nos desafortunados...

O velho molhado pela água do mar misturada com a da chuva, grita:
- Desavisados, correram para ser avisados e não pularam! Todavia, inauguram a sua fase na idolatria. Quem poderá nos salvar?

Não os dão ouvido e persistem os guerreiros tripulantes sãos no navio ao léu... Ah! Que destino cruel!

E o mais velho pensa e imaginando ser ouvido por todos, questiona abertamente, franzindo a testa:
- Por hora, não nos dizem que somos livres? Assim, falam os avessos ao Mito da Caverna... "Libertas quae sera tamen"

E o navio, após a tempestade, segue a sua jornada com os tripulantes e o velho louco...

sexta-feira, 3 de maio de 2013

DESTINO

Destino que nos desnuda
Retira- nos a esperança
Faz a vida com dança
E música muda...

ANDANÇAS





Tempo de Mudanças!
Sem que haja danças?

Tempo de Mudanças!
Sem que haja esperanças?

Tempo de Mudanças!
Sem que haja mudas?

Mudas, mudanças. ..
Mudos, sem mudanças. ..





PARA A MOÇA DAS CAPAS E CORES



Menina das cores e capas,
O que trazes para mim?
Menina dos amores e harpas,
O que trazes para mim?

No alvorecer colorido,
Trazes a irreverência do seu ser.
No amanhecer unido,
Trazes o coração tangido.

Na rouquidão da sua voz,
Trazes a suavidade do seu amor.
No brilho dos seus olhos,
Trazes a brandura do seu valor.

Moça das capas,
Cheia de paz.
Moça das cores,
Cheia de amores.

É o que trazes para mim...

sexta-feira, 15 de março de 2013

Soldado


Ensolarado
Soldado,

Amado (ou odiado?),

Lança

Tiros e dardos

Perdidos,

Sem pedidos...

terça-feira, 5 de março de 2013

Desencontro


Prazeres desencontrados,
Deixam-nos desencantados.

Sem ares, o amor se esvaira.

O vento leva para o rio
E deságua na imensidão do mar.

Gota após gota..
Em silêncio...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sexta-feira


É dia de todos os santos
É sexta-feira!

Venha à festa,
Venha farrear,
Sem se frear,
Sem guerrear.
Venha se refrescar!

É dia de cesta cheia!

É sexta-feira!



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Silêncio



Voa, voa e despovoa

Sem qualquer déspota

Sem qualquer pólvora

Em silêncio, desova.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Andorinha



Vá andorinha!
Não vá sozinha!

Nem fique na cozinha,
De fofoca com a vizinha.

Vá com sua vovozinha
Encantando com sua vozinha
Sons mudos, bem pequenininhos

Só ouvem os ouvidos
Do interior da cozinha
Que levam som à andorinha...