Zombarão,
Arrombarão,
Até você, Barão?
Haja razão!
Haja coração!
Haja, haja...
Não! Aja, aja!!!
"Fiz um pacto silencioso com o Passado, eu não falo dele nem ele fala de mim."
sábado, 20 de dezembro de 2014
CHUVA, CHUVA
Essa leveza
Que transpõe a sutileza
E desperta a beleza
Me desperta..
Ao som da trovoada,
Com uma chuva abençoada,
De notas cantaroladas,
Fico cá encantada...
Espero ansiosa, a noite morrer,
Despida do seu véu ao escurecer.
E, assim, adormecer
Para, finalmente, o dia alvorecer..
Que transpõe a sutileza
E desperta a beleza
Me desperta..
Ao som da trovoada,
Com uma chuva abençoada,
De notas cantaroladas,
Fico cá encantada...
Espero ansiosa, a noite morrer,
Despida do seu véu ao escurecer.
E, assim, adormecer
Para, finalmente, o dia alvorecer..
CARPE DIEM
Tempo, você não me prende
Entre seus dedos,
Enquanto eu escoo,
Você se abate.
Tempo, você é como uma parede,
Enquanto eu o transpasso,
Como num passo,
Você pra lá pende.
Tempo, você não sofre,
Eu sou o passado, o presente e o futuro
De tudo que luto,
Você, de tão vivo, morre...
GRANDE AMOR
Ah! Grande amor,
Deixa de ser imenso,
Quando deixa de ser manso
E espalha a dor.
Apenas vejo aquele sofrer,
Nem as nuvens cobrem
As gotas que despencam
Do seu olhar ao entristecer.
Vejo aqueles olhos de paixão
Despetalados, sem emoção,
Rastejando-se pelo chão
Procurando um outro coração.
Há de se ter compaixão,
Diante da beleza e da sutileza
Da sua própria natureza
Para que não perca a esperança
De um novo dia renascer.
SUSPEITOS, SUSPIROS!
Oh! Angústia,
Diante dos dias
Que se passam...
Diante dos dias
Que se passam...
Ah! Timidez,
Que não me diz
E com os olhos falam...
Que não me diz
E com os olhos falam...
Oh! Poder,
que não deixa viver
e nos distanciam
que não deixa viver
e nos distanciam
Para que amar,
Se não há
O seu olhar
A me cercar?
Se não há
O seu olhar
A me cercar?
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Rubem Alves - Futebol e Política
Alguns amigos
se juntaram e resolveram fazer algo pela pequena cidade do interior em que
moravam. Pensaram que seria possível colocar um pouco de razão nessa coisa tão
movida a paixões que é a política. Nada partidário. Não levantaram bandeiras.
Não defenderam candidatos. Não gritaram slogans. Propuseram aos dois candidatos
a prefeito que respondessem a uma série de perguntas sobre os seus planos, as
mesmas perguntas para os dois. As perguntas foram feitas por escrito e eles
tiveram dez dias para escrever suas respostas. As perguntas e as respostas, com
a concordância de ambos, foram transformadas num tablóide e distribuídas pela
população.
Num dia
previamente marcado, os dois candidatos deveriam ler as suas respostas e
assiná-las, como um documento público. Assim aconteceu. Os dois candidatos
compareceram ao local designado junto com seus partidários, que se assentaram
em dois blocos de cadeiras separadas. Mas o que sucedeu nada teve de racional.
Era mais como o
confronto entre torcidas de dois times de futebol, cada torcida odiando a
outra. Vaias, gritos apupos, xingamentos. Ninguém estava interessado em ouvir e
compreender o outro. O clima foi ficando tenso e havia a possibilidade de que,
terminado o evento, houvesse um confronto físico entre os dois grupos, tal como
frequentemente acontece com torcidas de futebol. Ao final, a palavra foi aberta
aos presentes. Uma amiga, uma mansa mulher, se levantou trêmula e disse algo
mais ou menos assim: "Eu e meu marido nos mudamos para cá por opção.
Cansados da brutalidade de São Paulo, escolhemos esta cidade porque ela nos
pareceu habitadas por pessoas cordiais e pacíficas. Mas agora estou triste.
Perdemos nossas ilusões..." Disseram alguns participantes que foi essa
fala mansa que envergonhou as torcidas já preparadas para a briga. Que pena que
aconteça assim!
Usando a metáfora do futebol: as eleições não
são um confronto entre dois times que se odeiam. Não há dois times. O time é um
só. Todos jogamos nele. Nosso time é a cidade. O que acontecer na cidade
acontecerá a todos nós. O que acontece nas eleições é a escolha do técnico do
time no qual todos nós jogamos. Dizem as Sagradas Escrituras que uma cidade
dividida contra si mesma não pode sobreviver. Será esse o nosso destino, viver
batalhas de ódio que só produzem divisões? As pessoas, por terem ideias
diferentes, têm de se tornar inimigas? Alguns acham que sim. Elas se tornam
inimigas daqueles que têm ideias diferentes das suas. Eu mesmo ganhei muitos
inimigos... Isso acontece porque há aqueles que se julgam possuidores da
verdade. Mas ninguém é dono da verdade. Por isso existe a democracia: porque
ninguém tem a verdade. Só temos opiniões precárias. Quem se julga dono da
verdade tem de ser intolerante.(Retirado do Livro "Ostra feliz não faz pérolas".)
domingo, 6 de abril de 2014
Espaços
Sutilmente estou vazada
De onde vem a minha leveza
Preciso de me preencher
Aromas para me encher
Com todas as flores e cores
Sinto-me vazada na alma
Com orifícios expostos
Todos os buracos, adentro
Exponho-os distintos
Preciso me fixar
Para não me asfixiar
E me sufocar,
Preciso me focar
Preencha-me em todos os lados
Surpreenda-me com suspiros
Levemente profundos
E, assim, preenchida me retiro
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